14.1.09
A estrela do BBVA já não existe. As luzes da cidade acenderam-se de tons frios para receber o Natal. Entrou-se no novo ano. Novo, dizem. As páginas do calendário chegaram ao fim. A parede permanece em branco. De resto nada de novo. Já nem o desejo de novidade, que cresce, que tem dias em que quase me sufoca, é novo.
3.12.08
locais
que nos marcam, que nos adoptam. voltas e mais voltas e sem reparar estamos de novo lá.
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AM
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17:09
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28.11.08
e de novo as nuvens
voam pela minha janela. E de novo olho o céu e sinto palavras. Estarei a regressar à vida? Quem serei? Desconheço-me a cada dia.
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AM
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13:09
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7.10.08
Caem as primeiras chuvas
E eu continuo sentada no mesmo lugar. As plantas cresceram.
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AM
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15:04
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19.9.08
letras
Saio todos os dias de casa depois do teu beijo. Olho a montra sempre igual dos chineses, desço a travessa de Santa Marta. O prédio em obras obriga-me a um desvio, passo por uma tasca e em frente sempre os mesmos 3 homens de barriga e bigode. Conversam. Calam-se quando passo e olham-me. Continuo e escolho a rua por onde desço até à rua de Santa Marta. O senhor da sapataria, com a sua pastinha de pele castanha, fecha a porta depois de mais um dia. Espreito as montras dos sapatos, os vestidos da Prada. Para dentro queixo-me: deviam mudar as montras mais vezes, para quebrar a minha monotonia. Avenida da liberdade abaixo. Na esquina todos os dias dois rapazes distribuem panfletos dos restaurantes Indian Star e do Hymalaia. Já me conhecem. Cumprimento o rapaz simpático do Hymalaia. Questiono-me sobre o que se passará com a velhota que custumava estar a pedir esmola debaixo das arcadas. Peço a senha, visto-me e vou para mais uma aula de ginástica com música sempre estridente, sempre igual. Esqueço-me de tudo, sou apenas um corpo. Banho, regresso a casa pelas mesmas ruas, agora já noite. Um beijo, o jantar, outro beijo e volto às letras. Tu dormes. Mais tarde eu vou dormir, acordar, voltar às letras e sair depois do teu beijo...
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AM
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3.9.08
1.9.08
21.8.08
O tempo parou
O número dos dias e dos anos vai mudando no calendário. Mas neste quarto, hoje é igual a ontem, ao mês passado. Apenas o número de páginas varia e, de tempos a tempos, um tick na lista de coisas a escrever, de artigos a ler.
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AM
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18.8.08
Perdi as palavras.
Encho páginas de letras e tudo se resume a isso. Páginas em branco cheias de letras, pretas em páginas brancas. Crescem as letras, as páginas, passam-se dias, meses. E mais nada. Não surgem as palavras.
Preciso acordar.
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AM
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20:01
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24.6.08
Mais um ano
Ou simplesmente mais um dia, plano, interminável.
Sem fim, sem tempo. Dias planos, sem palavras. Uma passagem pelo Annapurna Sanctuary e pelas ruas cheias de vida de Kathmandu. Dias passados sempre aqui, de volta da minha carta mais longa.
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AM
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