21.8.08

O tempo parou

O número dos dias e dos anos vai mudando no calendário. Mas neste quarto, hoje é igual a ontem, ao mês passado. Apenas o número de páginas varia e, de tempos a tempos, um tick na lista de coisas a escrever, de artigos a ler.

18.8.08

Perdi as palavras.

Encho páginas de letras e tudo se resume a isso. Páginas em branco cheias de letras, pretas em páginas brancas. Crescem as letras, as páginas, passam-se dias, meses. E mais nada. Não surgem as palavras. Preciso acordar.

24.6.08

Mais um ano

Ou simplesmente mais um dia, plano, interminável. Sem fim, sem tempo. Dias planos, sem palavras. Uma passagem pelo Annapurna Sanctuary e pelas ruas cheias de vida de Kathmandu. Dias passados sempre aqui, de volta da minha carta mais longa.

11.10.07

palavras

que perdem o destinatário, que se perdem antes de se teclarem, antes de serem pensadas.

3 anos e uns meses depois, um ciclo que se fecha.

28.6.07

As flores e os pombos

Agora decidiram começar a comer os botões das margaridas.

Para poder encontrar-me a mim mesmo, tive primeiro de me perder. Tive de chegar ao pleno vazio de mim. Não foi um vazio imóvel, um compasso de espera na dança do ser: o meu vazio foi um rodopiar imparável de dinâmica negativa, de tal forma que desistir surgiu, por fim, como premente solução lógica para acabar de vez com o tormento daquele excesso giratório. Tinha dezanove anos. A minha vida, para todos os efeitos, mal começara. Mas antes mesmo de ter podido pisar-lhe o palco, parecia ter chegado já o momento de fechar o pano. A tragédia grega ensina que "o amor não deve atingir a própria medula da alma". Mas na vida de alguns de nós, de preferência uma única e irrepetível vez, a medula da alma é atingida pelo amor. Felizes os que sobrevivem.

Frederico Lourenço in A formosa pintura do mundo

Emaranhada

A vida enrola-se, os dias dão voltas e mais voltas, sempre iguais, sem nunca deixarem de ser diferentes. Enrolo-me neste novelo de fios sem fim, perco-me no meio das cartas que se dão, baralham e voltam a dar, que caem da mesa, voam com a brisa de vento, desfazem-se com a água da chuva para de novo voltarem às minhas mãos. As mesmas palavras, os mesmos fios que me atam, que me ajudam a regressar a casa. Palavras que que prendem, outras que amo, desejo, palavras que queimam ou libertam.
Perdi o fio à meada...

22.6.07

Quero ir ao Nepal

beber chá e olhar as montanhas.

19.6.07

Enquanto dormia

Ontem simplesmente continuei a trabalhar. Esta noite, antecipei as férias, passei pelas ruas de Kathmandu.

16.6.07

Lisboa


(...)

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade



Chuva, Mariza. Composição: Jorge Fernando
Palavras que dançam pelas ruas, num sábado de chuva. .